Não é preciso ir muito longe no tempo para recordar-mos as alteraçoes politicas que o pequenino Portugal tem atravessado na ultimo século.
Quando Antonio de Oliveira Salazar subiu ao poder em portugal, deu-se o inicio daquela que seria uma das piores epocas que o país iria atravessar, um fascismo extremo, onde a censura era a madastra de todas as vozes e formas de expressão. As artes eram proibidas, e qualquer opinião, riscada, pelo chamado Lápis Azul.
Durantes quase 40 anos, Salazar, apoderou-se de todos os cargos politicos existentes em portugal, tendo assim na sua mão a hegemonia que tanto desejava. Enquanto isso, os povo reunia-se, secretamente, de norte a sul do pais, e eram nessas reuniões secretas que o povo fazia a sua parte contra o sistema. Alvaro Cunhal, José Afonso e Salgueiro Maia foram algumas das personagens que ajudaram à revolução, e nesses tempos a revolução tinha várias caras.
Durante os anos que Salazar governou portugal, o povo vivia debaixo do medo e a resistencia era muito pequena, comparada com os que simplesmente seguiam as leis soberanas. A educação, a saude, as condiçoes precárias em que o povo trabalhavam estavam em tudo abaixo das condiçoes de sobrevivencia. Nesses anos, duros e arduos, muitos dos que foram contra as ideias do fascismo foram simplesmente assassinados e os que conseguiam, exilavam-se no estrangeiro, na esperança de um dia voltarem à amada pátria.
Em 1974 dá-se então a chamada revolução dos cravos, sem um unico tiro, o governo caiu e a ditadura com ele.
Com isto vem os que eu chamarei de novos governantes, Portugal passa de um país de quase escravatura a um país de beneficios. Subsidios para tudo, Ordenados, Férias, 13º mês, surge tudo depois do 25 de Abril, ou seja, pelas mãos dos nossos avôs, pais , etc. Os portugueses passam a ser recompensados por cada hora de trabalho, por cada esforço. E a vida é perfeita. A economia cresce, a exportação cresce, e o povo é recompensado. E isto traz-me a 2012, o ano da austeridade, palavra chave dos media, o ano da crise, do fmi e do 'Que se lixe a Troika', o ano em que os empregos acabaram, em que nos cortaram tudo o que eram beneficios. Os nossos pais começaram a trabalhar numa epoca aurea, com todos os subsididios e ajudas do estado, foram trabalhando, vivendo e conseguindo criar uma farsa a que chamaram "estabilidade financeira", e hoje, o governo tirou-lhes tudo, tudo o que os ensinou a viver, o subsidio de ferias que pagava mais uma prestação avultada do bmw, o 13º mes que os lhes pagava as ferias no algarve e ate no exterior, tirou-lhes tudo e disse-lhes :" trabalhem! Trabalhem porque sem voces não é possivel melhorar, mas temos de trabalhar todos, por isso vou-vos tirar as mordomias, e agora recebem o que trabalham, pagam mais impostos para alimentar a maquina do estado e não refilem, porque se não forem trabalhar amanha para estar no protesto, o vosso patrão, metevos na rua. E os vossos filhos devem sair da universidade, porque já existe muito desemprego e com isso, vou aumentar as propinas, porque assim não lhes resta senão ficarem perdidos num pais que nem se apereceberam que estava a afundar"
E isto liga-me ao ultimo ponto deste texto: NÓS, a geração revoltada. Porque nós estamos a estudar, nunca trabalhàmos, nao sabemos o que é o 13º mes, nunca recebemos um subsidio e não sabemos o que é comprar o primeiro carro e acabar de o pagar, não sabemos e não vamos saber tão cedo, ou pelo menos na nossa pátria mãe. Restanos estar informados e acima de tudo, lutar contra o sistema, não acreditar que não há solução, não é solução. Vamos aprender a viver com dois euros por dia, vamos aprender a mudar de local de transportes publicos e talvez tão cedo não tenhamos uma casa própria, não vamos ajudar a aumentar a população porque não temos dinheiro para criar um filho, e , talvez, mudemos de país hoje ou amanha, e Portugal, afunda-se, junto com todos aqueles que o ajudam a afundar. Porque os tempos aureos mais uma vez estão a mudar e não vão ser cravos, nem rosas, nem manifestações pacificas que nos vão salvar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário